Então vamos aos desfiles do final de semana! Sábado, dia 21, foi em geral um dia de grandes emoções. Cinco estilistas mostraram suas apostas pra próxima estação e aqui estão elas!

Abrindo o terceiro dia de desfile, Reinaldo Lourenço propôs um cenário gótico, negro e com jogos de luzes assustadoras. Trajando um vestido de couro, justo, com as mangas compridas e um capuz de pêlos, ao som de sinos, apareceu a primeira modelo. E dai em diante, várias peças lindas, geométricas, reconstruídas, reinventadas e sofisticadas. Alfaiataria impecável, transparência na medida certa, golas e capuzes de pêlo, luvas, recortes e decotes improváveis ganharam espaço na coleção de Reinaldo. Não foi só de preto que se baseou essa coleção, tinha estampa que imitava vitral, bege e vermelho, também. O comprimento era alongado, as peças eram bem ajustadas no corpo e acho que a saia lápis tem grandes chances de ser a rainha da estação. Para a beleza, unhas azuis, cabelos lisos, soltos e partidos ao meio. A maquiagem delineava bem os olhos e deixava a pele bem pálida.

Logo mais teve a Ellus e, apaixonada por um rock’n’roll como sou, quase morri! Para começar, os cabelos das moçoilas vieram presos num rabo baixo, para dentro da roupa, dando uma impressão de cabelos curtos, que me pareceu a aposta da marca. Muitas trajavam óculos escuros, enquanto as outras exibiam a quase imperceptível make-up! Os sapatos estavam fantásticos, as luvinhas davam um charme extra, a jaqueta de couro virava colete e os recortes eram imperdíveis. Já a cartela de cores foi inaugurada com o total black, depois vieram os verdes, vermelho e dourados. Já os detalhes são incontáveis, fendas, decotes, brilhos, rendas e inúmeros outros pontos a favor dessa coleção. A calça skinny, o pêlo, a lã, as sedas e as modelagens justas em geral também foram muito bem exploradas por Adriana Bozon. Alfaiataria e modelagem perfeita não passam em branco. E por fim, muito, mas muito couro! Esplêndido, quero tudo!

Mario Queiroz optou por um inverno bem dramático. Trouxe o veludo bordado, golas vitorianas, alfaiataria precisa, saia plissada sobre calça social e tudo isso com elegância e descrição. A cartela de cores, basicamente cinza. As composições foram um dos pontos mais fortes do desfile, voltamos com o paletó + gravata borboleta + colete + cachecol e iniciamos a calça social feminina + saia transparente plissada + moletom bordados de estampas gráficas e modernas. Tenho a impressão de que a grande aposta de Mario pro inverno é o mix de padronagens, texturas e estampas. Para a maquiagem, sobrancelhas e boca marcadas. E cabelos lisos, partidos ao meio, ora soltos, ora presos em um coque baixo.

Então, Huis Clos, que sempre me encanta, mais uma vez estava linda. Com looks monocromáticos, amplos e acinturados com cintos super finos, Sara Kawasaki deixou tudo muito elegante e charmoso. As mangas eram amplas e ficavam longe do corpo, a forma principal era o retângulo, os tecidos me pareciam divinos e as cores também foram pessoalmente muito bem escolhidas. Preto, cinza, verde e caramelo deram vida a coleção. O veludo cristal (aquele que parece um veludo que brilha), a lã e as rendas estavam em todas as peças. As rendas davam formas a detalhes, como golas por exemplo. Já a lã e o veludo davam vida aos macacões, vestidos e blusa comprida + micro short + meia calça, que DOMINARAM a passarela! Os cabelos estavam devidamente divididos na lateral e milimetricamente presos num rabo baixo. As sobrancelhas descoloridas davam leveza aos olhos extremamente marcados e esfumados de preto.

Fechando o dia 3 Samuel Cirnansck, minha descoberta do MTP, estava mais uma vez brilhante. Composta apenas por três cores, branco, dourado e preto, sua coleção apresentou sofisticação, sensualidade e determinação. As primeiras modelos, todas de branco, pareciam rainhas do gelo. As peças eram compostas por tecido finos desfiados que davam a impressão de pêlos e plumas. Os pontos altos da coleção foram, sem dúvida, a transparência e os brilhos que estavam fantasiosamente lindos. Samuel apostou nos longos requintados, na cintura marcada, na silhueta sereia, nas fendas e nos recortes impecáveis. Já a beleza das modelos estava bem dramática! Olhos muito fortes, cilios postiços, máscara, sombra e mais mil truques. A boca apagada e o cabelo milimetricamente preso e baixo.

O domingo, começou na Estação da Luz, onde a Cavalera se apresentou. Com uma inspiração pra lá de Amy, os cabelos vieram bem altos e presos por um coque, a maquiagem delineou muito bem os olhos e na boca nada. A cartela de cores estava sóbria e rock, cheia de pretos, azuis, caqui e vermelho. Tinha moletom + saia de babados com leve transparência, calça skinny justérrima + salto + blusa básica + casaquinho de renda com transparência e mais várias outras misturas improváveis. Os tecidos eram bem variados, tule, moletom, jeans que imita couro e rendas. As estampas estavam belíssimas, o casaco e o vestido, que pareciam ter sido espirrados jatos de tintas, me chamaram muito a atenção. Para os homens, bermudas skinny e sarouel + cintos de cowboy + colete + blazer + camisa + tenis = visual descolado, antenado e lindo!

Foi então que Jefferson Kulig, mostrou uma coleção fresca, clarinha e super verão. Abusou de transparência, detalhes aplicados nas roupas (fitas de veludo e silicone), recortes novos, estampas e aplicações 3D de flores em suas peças. A cartela de cores estava clarinha e bem neutra. Branco, rosa, salmão, azul, e preto. Materiais novos foram explorados e as modelagens eram muito boas. Nos pés as modelos usavam um sapatinho abotinado, que mostrava os dedos e o calcanhar. Os cabelos estavam devidamente partidos no meio, lisos e soltos. A maquiagem apareceu bem clarinha e suave, com bastante máscara de cílios dando idéia de volume.

FH, comandada por ninguém menos que Fause Haten, era mais uma vez uma das passarelas mais sofisticadas do SPFW. Num clima brazuca, estampas tropicais eram pontuadas com elegância e muito charme. Vestidos de noite foram muito bem trabalhados, decotes bonitos, movimento perfeito, fendas sensuais, transparências tendenciosas e a aposta de vestido boneca com muitas anáguas. Os homens ganharam uma novidade, ou um aliado, como preferirem, para as festas. Agora são compostos por calças skinny de couro + camisa branca de botões pretos + gravata borboleta + peletó criando um efeito incrível. Fause apostou muito em estolas de pelo e em golas, de vários tamanhos e estilos variados. Nas cores apostou muito em preto, roxo e verde. O ponto alto da coleção foi a belíssima estampa de hibiscos feita todinha em paetê. Cabelos com gel no topo e bem pra trás e solto no comprimento. Maquiagens de noite e batom forte! Sapatos lindos e delicados, dignos de princesa.

O ponto alto da coleção de Juliana Jabour, na minha opinião, é o tricô. Ele veio com estampas super bacanas e padronagens excelentes. As botinhas e as luvinhas ganharam meu coração. Teve também muito vestido, daqueles que parecem camisa, com transparência, com camadas, com bordados, de tricô, com carinha de anos 20, tinha de tudo! A alfaiataria veio reformulada, apareceu em tecidos brilhantes e encorpados. E as golas também foram muito bem vindas, de tricô, soltas ou acopladas a roupa. Para a cartela de cores bem vivas, amarelos vibrantes, vermelhos, rosa, azul e preto. O cabelo ganhou destaque com um topetão + cabelo solto. E o make, bem leve.

Fechando o domingão, Adriana Zucco, apresentou sua coleção da Colcci. Alessandra Ambrosio, garota propaganda da marca e grávida de 5 meses abriu e fechou a coleção. Iniciando com tricô e fechando com jeans, as apostas foram principalmente essas. Senti um mix de anos 90 com 60. O plissado, o couro, o comprimento midi, a cintura marcada e muito jenas foram os elementos mais fortes do desfile. A cartela de cores estava inspirada, era verde com vermelho, verde com roxo, caramelo com amarelo e mais varias dessas combinações que dão certo! A saia longa de tricô foi um dos hits do desfile. O cabelo veio preso por um coque alto e na maquiagem, finalmente, bocas estonteantemente vermelhas!

E no penúltimo dia, segunda, teve mais cinco grandes estilistas!
Abrimos com Glória Coelho, uma coleção inspirada nos vulcões, cheia de estamparia e shapes variados. Com cabelos comportados em um rabo baixo e maquiagem leve com a boca rosada, ela abriu mais uma vez uma coleção cheia de elementos futurísticos. As botinhas de salto fino tinham uma cor inesperada nas solas, as meias calças brancas tinham listras laterais em sua maioria preta e os ombros vieram sempre marcados seja por um detalhe, ou pela padronagem de casulo que virou mesmo hit. Gloria abusou da transparência, brilhos e tecidos finos para dar vida aos seus croquis. A cartela de cores pálida, preto, branco, nude, rose, rosa e flúor (nas meias). O veludo, o couro e o pêlo fizeram um fabuloso casamento em várias peças. E os recortes estratégicos fizeram toda a diferença.

Danielle Jensen resolveu que nesse inverno vamos ser menininhos. Com uma silhueta bem minimalista e sem marcas de feminilidade a Maria Bonita veio muito diferente da Maria Bonita Extra, que propunha o máximo de charme e delicadeza. Casacões caramelo com padronagem ampla e de camurça iniciaram a história. Ai então apareceram vestidos, macacões, parkas, sobretudos, transparência, decotes inovadores e ótimas estampas. Nos pés, mais uma vez oxfords, dessa vez com salto. As texturas fizeram a diferença nessa coleção! Me apaixonei pelo vestido todo franjado de canutilhos. Mas os cabelos eram, sem dúvida nenhuma, a sensação do desfile. Celso Kamura desenvolveu enormes tramas nos cabelos, que lembram as de uma cesta. Uma coleção vinda direto do campo!

A UMA, que também desfilou no MTP, desenvolvida por Raquel Davidowicz, propôs uma moda para todas as idades. As botas compridas faziam um bom jogo com as saias e calças compridas. O tecido amassado tem um aspecto incrível! As cores eram basicamente preto, branco, cinza e vermelho. As modelagens eram bem diversificadas, tinha justo e curto, justo e longo, amplo e longo, de tudo um pouco. Lembrei de algumas peças que foram desfiladas tanto aqui quanto no MTP, como a saia de tecido amassado vermelho + blusa de manga comprida amassada preta + bota, por exemplo. Os cabelos estavam presos e com uma franja lateral, rente a cabeça e presa com um grampo.

João Pimenta fez uma coleção masculina bem dark. Alfaiataria de primeira qualidade, presença forte do couro e nova modelagem de camisas. João propôs também a saia longa masculina, releitura do figurino de um movimento artístico do século XVII, que vieram bem amplas e confortáveis. As golas subiram de altura, as mangas ganharam detalhes e o paletó veio reconfigurado. As cores quase não apareceram, a maioria das peças eram escuras. Outro ponto que me chamou a atenção foi o comprimento da calça, que parece ter subido de vez. As modelagens também estão mais ajustadas e as botas cresceram. Os belíssimos modelos delinearam os olhos, causando uma idéia de noite sombria. Alguns usavam mascaram que, como as saias longas, também faziam parte do movimento artístico da época.

Fechando Lino Villaventura apresentou uma coleção feita para mulher dramática e fatal. Vestidos de festa com tudo que temos direito! Fendas enormes combinadas com meia arrastão, brilhos intensos, mangas cheia de plumas, recortes bacanas, transparência no ponto e ombros fortes marcam a coleção de Lino. Mas o hit absoluto do inverno são as capas, de várias formas, modelagens, cores e tamanhos. Elas são charmosas, enfeitam e modificam um look. As cores sóbrias como preto, bordo, vermelho, chocolate e caramelo ganham as passarelas. Já os mocinhos também tiveram espaço para uma alfaiataria muito bem elaborada e belos sapatos que tinham a sola roxa. Por fim, a beleza das modelos esteve por conta de unhas postiças gigantescas pintadas de preto fosco e das máscaras trançadas que lembravam uma telinha antiga.
